«Desligai-o e deixai-o ir»

A nossa viagem na terra é pontuada por inúmeras chegadas e partidas.
Destacam-se dois instantes, de início e de fim, únicos, intensos, irrepetíveis, sagrados: a nossa entrada na imensa caravana humana que peregrina desde tempos que se esfumam no passado, e o dia em que nos separaremos definitivamente dos nossos companheiros de caminhada.
Entre estes dois momentos encontramos páginas para preenchermos com as nossas narrativas pessoais.
Somos convocados para ser Escritores. Autores de histórias: as de cada um de nós; e de nós com os outros.
O desafio é registar na superfície em branco de cada “folha” diária, e sem ocultar fragilidades e falhas, o que somos de melhor, o que nos define como Humanos, a razão fundamental de “estarmos aqui”.
Este exercício de “escrita” nem sempre é fácil: falta-nos a imaginação, não nos empenhamos suficientemente, somos seduzidos pelo plágio, tropeçamos na preguiça, gerimos mal o tempo, desgastamo-nos em frivolidades.
A grande odisseia da vida é Viver, não apenas permanecer vivo. Avançar, não estagnar numa pausa defensiva.
Trata-se de percorrer a estrada dos dias, decididos, empenhados, livres, humildes, simples, agradecidos, felizes.
Não podemos permitirmo-nos “morrer”, antes de morrer. A Vida é o dom maior que recebemos. Para usar bem.
Jesus grita isto mesmo a Lázaro, seu amigo: “Lázaro, sai para fora!” E ele saiu. Reergueu-se para a Vida.
Todos somos Lázaros.
Há segmentos da nossa existência em que nos sentimos como que enclausurados numa sala fechada; capturados pelos preconceitos; angustiados perante uma decisão; inebriados pelo egoísmo; surpreendidos por ‘mostrengos’ que nos paralisam por dentro e nos impedem de continuar.
O grito de Jesus, “Sai!”, desinstala-nos e impele-nos de novo para o ânimo primordial de todos os sonhos.
Jesus não permite que coloquemos um ponto final nas histórias que ainda estão por terminar!
Jesus reavivou Lázaro. Não ressuscitou Lázaro. A Ressurreição é outra melodia.
A ressurreição é a morte da Morte. É a Vida a vencer. Ressuscitar é Viver para sempre.
Como Lázaro, um dia faremos a nossa passagem definitiva para Deus. Passagem, não o fim.
Até lá, muitas vezes escutaremos a voz de Jesus: Amigo, sai para fora da tua reclusão. Vive a Vida!
A vida não pode ser como uma corrida numa passadeira de ginásio: há esforço, mas não acontece distância.
Sim, vamos Viver. E, com Jesus, podemos Viver de verdade. Ele é a Vida.
No final do seu encontro com Lázaro, Jesus ordena: “Desligai-o e deixai-o ir.”
Jesus não nos quer embaraçados em “ligaduras” que impedem a fluidez do andamento e nos fixam ao chão.
E pede para aceitarmos a partida dos que amamos, a deixá-los ir. Seja qual for a causa. Apesar da dor.
Ter vida é uma dádiva que recebemos. Viver é uma decisão que somos chamados a tomar. Todos os dias.
Entregarmo-nos inteiros em cada acção “como se fosse a primeira, a última, a única”, (St.ª Teresa de Calcutá).
Recolhi da obra de um escritor esta frase: “Já fiz as malas, resta saber para onde vou.”
Também nós temos a mochila aprontada. Mas, com Jesus, sabemos para onde vamos.
Um abraço e a benção de Deus. Até breve!
P. Carlos Jorge

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