Para reflectir

O blog da Paróquia da Amadora

Jesus é o nosso modelo de referência?

A comunidade cristã só existe de forma consistente, se está centrada em Jesus. Jesus é a sua identidade e a sua razão de ser. É n’Ele que superamos os nossos medos, as nossas incertezas, as nossas limitações, para partirmos à aventura de testemunhar a vida nova do Homem Novo. As nossas comunidades são, antes de mais, comunidades que se organizam e estruturam à volta de Jesus? Jesus é o nosso modelo de referência? É com Ele que nos identificamos, ou é num qualquer ídolo de pés de barro que procuramos a nossa identidade? Se Ele é o centro, a referência fundamental, têm algum sentido as discussões acerca de coisas não essenciais, que às vezes dividem os crentes? Identificar-se como cristão significa dar testemunho diante do mundo dos “sinais” que definem Jesus: a vida dada, o amor partilhado. É esse o testemunho que damos? Os homens do nosso tempo, olhando para … >> continuar a ler

Sair de si para ir ao encontro de todos

A interrogação atinge-nos com contundência: “Porque estão a olhar para o Céu?”A atitude que Deus espera de nós é que olhemos para a Terra, lugar dos nossos compromissos.Jesus partiu. Mas não foi para longe. Ficou mais próximo. Estava ao lado. Agora está dentro.Não atravessou as nuvens. Ascendeu à nossa intimidade.O Senhor Ressuscitado ‘escapa-Se’ ao nosso olhar, mas a Sua Presença permanece real.Jesus regressou ao Pai, mas não nos abandonou.Deixou de estar num lugar, para poder estar em qualquer lugar.Partiu, mas ‘ficou’ num pequeno grupo de homens, amedrontados, assustados, com dúvidas.Foi a eles, ontem, é a nós, hoje, que Jesus entrega ‘tudo isto’, para fazer chegar ao futuro.Ele confia mais em nós do que nós próprios confiamos.Sabe que somos barro, mas aceita-nos como discípulos, como sementes, como fogo, como luz.Discípulo não é, apenas, o que escuta ensinamentos, mas aquele que se liga ao Mestre, que estabelece com Ele uma relação de … >> continuar a ler

“O amor é quando a gente mora um no outro”

Surpreende o ‘Se’, singelo, frágil, afável, com que Jesus inicia o seu colóquio:“Se Me amardes, guardareis os meus mandamentos.”Jesus não impõe, indaga. E aguarda a nossa resposta. Que só pode chegar vestida de liberdade.Quem ama, acolhe com prontidão, cuida com solicitude, protege com ternura.Guardar os mandamentos de Jesus é receber Jesus, a Sua vida, e tornarmo-nos n’Ele.Afirma o Mestre: “Eu estou no Pai e vós estais em Mim e Eu em vós.”Compreendemos? A comunidade, cada um de nós, é a habitação de Jesus. E Jesus, a nossa.“O amor é quando a gente mora um no outro.” Não é o que acontece entre Deus e nós?Na caminhada de fé, assalta-nos a tentação da segurança.Exigimos certezas absolutas e imediatas, que dispensem a escuta, a oração, o discernimento.Convivemos mal com a dúvida, o silêncio, o tempo, o paradoxo, o invisível.Deixamos de confiar na presença do Espírito e da Sua acção criativa e vivificante, … >> continuar a ler

A Tua presença alenta-nos

William Shakespeare, na sua obra Macbeth, coloca na boca de uma personagem esta frase: “A vida é uma história narrada por um idiota, cheia de som e fúria, sem sentido algum.” Pior do que viver desorientado ou perdido é viver sem caminho, sem rumo, sem propósito. Viver não é simplesmente ‘deixar-se ir’, acrescentar dias aos dias, trabalhar, agitar-se, correr. Não somos meros ‘viventes’ que se deixam arrastar pela enxurrada dos momentos. É fundamental ‘agarrarmos’ a vida, encontrar a forma mais humana, inteira, simples, de percorrer, em ritmo harmonioso e feliz, o espaço temporal que temos pela frente. Porque estamos aqui? O que fazemos aqui? Para onde queremos ir? Como queremos ir? Na demanda das respostas é natural que sejamos abalroados pela dúvida, receio, ansiedade.Tu, Jesus, dás-Te conta das nossas inquietações: “Não se perturbe o vosso coração.” Contigo, somos capazes de superar os nossos temores e ir para diante, como peregrinos … >> continuar a ler

Que pastor é o nosso?

Na nossa cultura urbana, a figura do “Pastor” é uma figura de outras eras, que pouco evoca, a não ser um mundo perdido de quietude e de amplos espaços verdes; em contrapartida, conhecemos bem a figura do presidente, do líder, do chefe: não raras vezes, é alguém que se impõe pela força, que manipula as massas, que escraviza os que estão sob a sua autoridade, que se aproveita dos fracos, que humilha os mais débeis… Ao propor-nos a figura bíblica do “Bom Pastor”, o Evangelho convida-nos a reflectir sobre o serviço da autoridade… Propõe como modelo de presidência (ou de “Pastor”) uma figura que oferece a vida, que serve, que respeita a liberdade das pessoas, que se dedica totalmente, que ama gratuitamente. Para os cristãos, “o Pastor” por excelência é Cristo: Ele recebeu do Pai a missão de conduzir o “rebanho” de Deus das trevas para a luz, da escravidão … >> continuar a ler

“Manda, Senhor, mais profetas”

Também nós estamos a caminho e conversamos sobre o que está a suceder.Sem O reconhecermos, Jesus aproxima-se de nós e torna-se nosso companheiro de viagem.Deus procura-nos, antes de nós O procurarmos.Os nossos ‘olhos’, que captam o pormenor mais insignificante, têm dificuldade em O ‘ver’.Como dar conta da presença de Deus, quando Ele chega até nós vestido de humanidade?Procuramos Deus nos Céus, mas Ele está na terra, muito próximo.Jesus interpela-nos: de que falam? O ponto de partida do diálogo é a concretude da vida.Serás o único a ignorar o que está a acontecer? As notícias não são boas.Contávamos com o poder de Deus, mas Ele mantém-se silencioso e ausente. Estamos desiludidos.Jesus escuta. Respeita as nossas dúvidas, incertezas, interrogações, lamentos, exasperações, desabafos.Mas não deixa de apelar para a nossa capacidade de ler e de decifrar a realidade.Jesus convoca-nos para a ousadia da inteligência e da perspicácia da sabedoria.Ele quer levar-nos ao cume … >> continuar a ler

Tive um sonho

Todos os habitantes da Terra, sem excepção, transportavam, dentro do peito, não uma pedra, mas um Coração.Em todos os lugares do Planeta, estavam extintos e esquecidos os ditadores que julgavam poder ser donos de tudo e de todos.Os grupos políticos congregavam as suas cores e, em cumplicidade, pintavam ânimo e arrebatamento na alma das gentes.O Código da Lei Geral só tinha um artigo: amar.Os crentes das diversas religiões, entrelaçando ritmos e coreografias, dançavam, com cintilação, o bailado da Unidade e da Paz.As bancadas de todos os ‘estádios’ do ‘Torneio da vida’ achavam-se vazias, pois todos estavam em campo, a jogar o Presente do Futuro.Os dicionários registavam menos vocábulos, dado que, alguns, como ‘fundamentalismo’, ‘intolerância’, ‘ganância’, ‘pedofilia’, ‘corrupção’, ‘violência’ eram desconhecidos, por já não fazerem parte do quotidiano.Pessoas fingidas, cínicas, snobes, agressivas, azedas, não encontrei.Fechaduras, alarmes, câmaras de vigilância, eram coisas do passado.O ‘eu’ e o ‘tu’ eram persistentemente suplantados pelo … >> continuar a ler

“Viu e acreditou”

Há o olhar e o ver.O olhar capta a exterioridade. O ver perscruta e decifra a alma.Pedro e o outro discípulo observaram aquele lugar vazio.Um, regressou com mil interrogações. O outro, com uma certeza.Para um, ficou gravada a imagem de um sepulcro esvaído.Para o outro, a percepção dum “sacrário”, sinal de uma Presença oculta.Neste momento que estamos a viver, muitos perguntam: onde está Deus?Eu coloco outra questão: onde está o Homem? Onde estás tu?Descobre o Homem e encontrarás a morada de Deus.Afirmas que só reconheces o que toma uma forma material perante os teus olhos.Consegues visualizar o amor? Não. E o amor existe.Consegues vislumbrar a inteligência? Não. E a inteligência existe.Consegues avistar a verdade? Não. E a verdade existe.Há silêncios que falam e “falas” que são apenas vacuidade.Há invisíveis que são evidências e “factos” que são ficção.Vai ao túmulo aberto onde esteve sepultado Jesus.Regressa a casa, ou seja, retorna a … >> continuar a ler

Domingo de Ramos. Iniciamos a Semana Santa.

Estes dias santos vão ser vividos no interior das nossas casas, transfiguradas em ‘igrejas domésticas’. Não podemos celebrá-los em comunidade paroquial reunida. Mas, apesar de apartados uns dos outros, estaremos ligados. Unidos. Cúmplices. Não haverá longe nem distância. Juntos, acolheremos, como nunca, a densidade e o sentido pleno do Mistério Pascal. Atravessaremos, em passo de oração, a trama dos acontecimentos: ‘escutando-os’ por dentro, captando-lhes a essencialidade do que ‘dizem’, acolhendo os desafios que nos lançam, permitindo que nos despertem para a urgência de inventarmos um futuro novo. As derradeiras horas da vida de Jesus, a sua Páscoa, foram muito duras. Tinha a missão de anunciar o Reino dos Céus, a soberania e a sacralidade da Vida, a beleza e criatividade do Amor. Não foi acolhido.Os seus contemporâneos (e nós?) estavam empenhados em conservar os seus estilos de vida e de ‘religião’. Concentremos a atenção em algumas personagens. Poderíamos ser nós. … >> continuar a ler

«Desligai-o e deixai-o ir»

A nossa viagem na terra é pontuada por inúmeras chegadas e partidas.Destacam-se dois instantes, de início e de fim, únicos, intensos, irrepetíveis, sagrados: a nossa entrada na imensa caravana humana que peregrina desde tempos que se esfumam no passado, e o dia em que nos separaremos definitivamente dos nossos companheiros de caminhada.Entre estes dois momentos encontramos páginas para preenchermos com as nossas narrativas pessoais.Somos convocados para ser Escritores. Autores de histórias: as de cada um de nós; e de nós com os outros.O desafio é registar na superfície em branco de cada “folha” diária, e sem ocultar fragilidades e falhas, o que somos de melhor, o que nos define como Humanos, a razão fundamental de “estarmos aqui”.Este exercício de “escrita” nem sempre é fácil: falta-nos a imaginação, não nos empenhamos suficientemente, somos seduzidos pelo plágio, tropeçamos na preguiça, gerimos mal o tempo, desgastamo-nos em frivolidades.A grande odisseia da vida é … >> continuar a ler

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